No final do mês de setembro, durante a realização do “Rock in Rio 2019”, a cantora Elza Soares interpretou uma de suas canções mais contundentes, “A carne”, que declara no seu refrão: “ A carne mais barata do mercado é a Carne Negra”. A canção foi escrita em 2002 e, infelizmente, ainda retrata os horrores da opressão do sistema (racismo), na realidade dos negros brasileiros.

Segundo o Atlas da Violência de junho de 2019, 75% das vitimas de homicídio no País são negras. A proporção é a mais alta da década, segundo estudo do IPEA e do Fórum Brasileiro de Segurança. Isso quer dizer que, para cada individuo não negro que não sofreu homicídio em 2017, aproximadamente 2,7 negros foram mortos.

O que leva a uma reflexão: Até quando vamos vivenciar a morte de seres humanos e encarar como algo normal? Até quando iremos encarnar o personagem do “suspeito” no processo investigatório? Até quando veremos pais de família serem assinados na frente de seus filhos apenas por ter a cor da pele retinta? Até quando crianças com uniforme escolar serão alvos, vitimas desse sistema que oprime e destrói sonhos? Porque o tom da pele ainda influencia?

Precisamos brandar em todos os cantos que vidas negras importam! Precisamos utilizar o modelo de Elza Soares e ocupar os espaços para dar voz a nossa indignação, bem como mostrar que podemos fazer diferente como seres humanos que somos.

Márcia Maria Campos Silva